segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Um novo ciclo...


Hoje começa um novo ciclo na minha vida. Escolher retornar para o Dinorá foi escolher rever a minha trajetória profissional como educadora, pois foi aqui que despertei para a importância do trabalho com Educação Ambiental e onde iniciei os primeiros projetos envolvendo sustentabilidade e protagonismo juvenil.
Sempre guardei comigo o envolvimento e o comprometimento dessa comunidade. O trabalho se concretizava não apenas pelo apoio para desenvolver as atividades, mas também por conta da confiança e respeito que cultivamos entre nós, funcionários, professores, alunos, famílias e amigos (aliás, quantos amigos!). 
Tínhamos um único objetivo: transformar a realidade do nosso entorno, provando na prática que é possível atingir nossos sonhos através de trabalho coletivo e solidariedade.  Quem diria que uma escola pública poderia estar presente na RIO +20? O trabalho com o córrego Cambuí foi premiado internacionalmente. Anos de troca de sementes e histórias com alunos do Rio de Janeiro. Aprendemos a importância do cultivo orgânico com a nossa horta mandala.  Tivemos a coragem de receber um grupo de alunos da Índia e mesmo com dificuldades com o inglês, despertamos para outras habilidades de comunicação e mostramos o quanto o povo brasileiro pode ser hospitaleiro e solidário. Ahh, e fizemos muito sabão, reciclando litros e mais litros de óleo de cozinha que seria descartado de maneira incorreta nos nossos rios... São muitas memórias e muitos registros de como trabalhamos e éramos felizes! Recordar o envolvimento sincero de todas essas pessoas, principalmente no início do projeto, que demandou muito esforço físico, autonomia e responsabilidade, me faz sentir muito orgulho dessa relação que foi capaz de nos transformar além das nossas expectativas. Não tínhamos recursos financeiros, a infraestrutura era precária e o próprio contexto dos estudantes poderia ser uma justificativa para não acreditar que seria possível chegar onde chegamos. Aprendi o significado de corresponsabilidade e principalmente do que é ACOLHIMENTO, muito antes dessas práticas  fazerem parte da nova proposta da SEE-SP.  
Num momento tão doloroso da minha vida pessoal, ser recebida com tanto carinho e generosidade me conforta e me dá esperanças de continuar na educação depois de um período muito conturbado.
Toda a minha gratidão a essa comunidade tão especial que continua amorosa e comprometida não apenas com a educação pública de qualidade, mas também com uma proposta de cidadania.
Aproveito também para anunciar que o blog Mão na terra está de volta! Vamos começar a atualiza-lo com muito mais frequência, já que teremos eletivas e aulas de projeto de vida.

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