quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sementes da amizade

Essa semana chegaram mais cartinhas dos alunos do Profº Rogério da Escola Municipal João Brasil, Niterói, Rio de Janeiro.
É sempre uma festa a entrega das cartinhas...
Concentrada, Josiane lê a carta da nova amiga.
Na horta os alunos colhem sementes de alfazema
e erva doce para responder as cartinhas cariocas.
A princípio, a ideia era trocar sementes cultivadas nas hortas das duas escolas, incentivando o cultivo orgânico e conscientização sobre a correta utilização dos recursos naturais e preservação ambiental, mas percebemos que essas trocas também impulsionam o desenvolvimento da leitura, escrita e interpretação. Alguns alunos têm muita dificuldade de se expressar por meio das palavras. As cartas se tornam um grande estímulo para que eles desenvolvam essa habilidade.
Depoimentos dos alunos
A troca de sementes é uma experiência sócio-ambiental, um novo tipo de aprendizagem via comunicação, que liga duas escolas com alunos diferentes de lugares diferentes que, por sua vez, deixaram suas diferenças de lado para se comunicar. Perto do fim do ano, chegando a formatura, os alunos da Escola Dinorá vivenciaram uma experiência que outras escolas ainda não têm. É mais um ponto positivo para a nossa escola, nossa aprendizagem e nossa horta.
Douglas Aliki
“Este ano escolar de 2009 foi muito bom para mim, a Professora de Geografia fez uma atividade muito bacana, nos dando a oportunidade de conhecer mais gente e outros lugares. Ela nos incentivou a escrever cartas e trocar sementes com uma escola no Rio de Janeiro na cidade de Niterói e todos os alunos da 8ºA participaram dessa atividade extraordinária. Quando os alunos da escola do Rio de Janeiro nos respondem e nos mandam sementes nós vamos na horta e plantamos as sementes, é uma diversão só.”
Suelen Baena de Sousa
Trocar sementes com nossos amigos cariocas foi uma forma de vivenciar outras práticas possíveis para que os modelos econômicos, políticos e sociais sejam repensados e reconstruídos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Harmonia na horta

Alguns alunos, quando visitam a horta, ficam surpresos ao encontrar verduras crescendo junto às ervas medicinais e flores. Afinal, nossa cultura aprendeu a separar as plantas de um jardim daquelas que são próprias para uma horta.
No entanto, apesar de aparentar visualmente uma grande confusão, é justamente esta união que cria o equilíbrio dinâmico tão procurado no cultivo das plantas.
O importante é ter diversidade de espécies, plantas de diferentes tipos, famílias e hábitos. Diversidade gera equilíbrio e assim ocorre menor infestação de pragas e doenças. Além disso, quanto mais diversificada for a nossa horta, maior será a variedade de produtos e nutrientes oferecidos. Assim, plantamos:
Flores: para embelezar e aromatizar nossa mandala. Também atraem insetos e pássaros que ajudam no controle biológico.
É bom plantar espécies com flores pequenas como as margaridas, salsinha, erva-doce e plantas com cores fortes como a zínia.
Ervas Medicinais e Aromáticas: além do uso na medicina popular, fornecem chás e servem como repelentes de alguns insetos.
Verduras, legumes e frutas: além de alimentos, ajudam na composição e manutenção da horta, seja no controle natural de doenças, ou ciclagem de nutrientes, adubando a terra.
Plantas fornecedoras de nutrientes: são os adubos verdes.

Se retiramos constantemente verduras, legumes e ervas da horta, precisaremos repor os nutrientes que a planta absorveu da terra. Por isso, plantamos, feijão guandu, mucuna preta e girassol.
É incrível, quanto mais apreciamos a beleza da natureza , mais beleza descobrimos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tempo de plantar, tempo de colher....

Na maioria das vezes, nós nos alimentamos do desconhecido! Não sabemos de onde vêm os legumes e verduras que compramos e nem as condições em que foram cultivados. Plantar nos aproxima dos alimentos que nos nutrem pois conhecemos seus ciclos e qualidades nutricionais.
Cultivar alimentos orgânicos na nossa horta vai além do cultivo de produtos sem agrotóxicos, é manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos, etc.), conservando-o e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.
Brassica oleracea L. var. gongylodes
A couve rábano é rica em vitaminas A e K, em biotina e ácido fólico, bem como magnésio, cálcio e selénio. Metade de uma couve rábano é o suficiente para cobrir as nossas necessidades diárias em vitamina C. A parte mais utilizada na alimentação é a redonda que cresce à superfície do solo e pode confundir-se com uma raiz. Ela é mais saborosa quando é colhida jovem. Caso contrário fica dura e fibrosa. As folhas verdes são comestíveis e preparar-se como a couve. A parte redonda é também muito apreciada quando ralada em saladas, tal como a cenoura. Tem um sabor que lembra a avelã.
Cyphomandra betacea (Solanaceae)
Conhecido como tomate-de-árvore ou tomate francês, é originária da América do Sul. É de porte arbustivo alcançando entre 2-3 m de altura. Não tolera seca prolongada e propaga-se por sementes e estaquias. Tem um aspecto muito semelhante ao do tomate, embora o sabor seja diferente. Rico em vitamina A o fruto é usado no preparo de saladas, geléias e sucos.
mandioca (Aipim ou Macaxeira)
A mandioca é um alimento bastante energético, contém, ainda, razoáveis quantidades de vitaminas do Complexo B, principalmente Niacina e minerais como o Cálcio, Fósforo e Ferro participam da formação dos ossos, dentes e sangue. A cultura da mandioca é tipicamente tropical é está ligada à própria história do Brasil. Embora seja pobre em proteínas, a mandioca tem sido consumida no Brasil desde a época da Colônia. Usada de diversas maneiras, como no preparo de pães, farinha, cuscuz, polvilho ou como acompanhamento de outros pratos, principalmente carne. Cuidado, há variedades de mandioca, chamadas "bravas" cujas raízes, quando ingeridas cruas ou mesmo cozidas, podem provocar intoxicações.

Confrei (Symphytum officinale L.)

O Confrei é calmante e cicatrizante. Suas folhas e raízes agem como cicatrizantes nas contusões e ferimentos. Pode ser usada como forrageira, pelo alto teor de proteína e pela excelente produção de massa verde.
Atenção:
O confrei teve seu uso por via oral proibido pelos órgãos governamentais de saúde de quase todos os países ocidentais, embora seu uso local como cicatrizante seja permitido e estimulado. Apesar das evidências, existem controversas quanto à dosagem necessária para um efeito tóxico.

Romã (Punica granatum)

A romã é fruta exótica e milenar. Existem registros de restos da fruta em túmulos egípcios com mais de quatro milênios. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo, pois acredita-se que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora. É uma planta que se adapta a climas tropicais e subtropicais, até nos semi-áridos. É propagada por sementes, mas como tem polinização cruzada, pode dar tipos diferentes. A propagação vegetativa por estacas lenhosas é fácil, bem como por alporquia. O fruto pode ser consumido ao natural, ou como sucos e geléias ou vinho chamado “grenadine”. Há um xarope feito do suco. Como a casca contém 30% de tanino, pode ser usada para curtir couro. Tem propriedades terapêuticas e é usada na medicina popular.

Abobrinha

Colhida e consumida ainda verde, a abobrinha tem casca macia e é composta de aproximadamente 94% de água, o que a torna um dos vegetais com menores taxas calóricas: uma xícara de abobrinha crua fatiada, por exemplo, possui cerca de 20 calorias apenas. Versátil e saborosa, a abobrinha é muito usada na nossa culinária, consistente, mas de fácil digestão, ela traz nutrientes como a niacina (que auxilia o metabolismo) e vitaminas A, C, complexo B e folato.

Dica: Quando for preparar a abobrinha, evite descascá-la, pois é ali que fica a maior parte de seus nutrientes. No máximo, raspe a casca com uma faca para tirar partes machucadas.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pimentas na horta mandala

A pimenta é um ingrediente antigo e muito utilizado pelas culinárias africana e indígena. Tanto os índios nativos do país, quanto os negros africanos que vieram como escravos consumiam pimentas em abundância. Os primeiros comiam-nas secas ou piladas, juntamente com farinha de mandioca (quya). Com a chegada dos escravos africanos ao Nordeste do Brasil – a primeira Região a ser ocupada pelos colonizadores – o consumo de pimentas foi incrementado. A nobreza e o clero apreciaram muito a pimenta brasileira – a Capsicum – que, por ser mais suave, passou a ser preferida e exportada para Portugal.
As cozinhas dos engenhos, dirigidas por européias e conduzidas por escravas africanas, herdaram vários aspectos da indígena. Para acentuar o sabor dos alimentos, e também porque o sal e o açúcar eram produtos muito valiosos, as mulheres utilizavam temperos locais como o coentro, a salsa e a pimenta indígena (Capsicum). Por mais estranhos que fossem ao paladar dos portugueses, eles precisavam se adaptar aos novos gostos dos temperos brasileiros.
Você sabia que o grande disseminador (ou plantador) das pimenteiras é o sabiá, um pássaro que come os frutos e espalha as sementes, através dos seus excrementos. Desse modo, ele semeia a Capsicum por onde passa.
A substância química que proporciona o caráter ardido e o sabor picante das pimentas – a capsaicina – causa a liberação de endorfinas e, conseqüentemente, uma sensação muito agradável de bem-estar.
No Brasil são cultivadas várias espécies de pimentas.
Na nossa horta plantamos pimenta malagueta, de frutos vermelhos, altamente picantes; cumari que é picante e ligeiramente amarga; pimenta biquinho, que é arredondada, vermelha e gosto suave; dedo-de-moça que tem o sabor mais suave que a malagueta e a pimenta cambuci, que é verde-clara, achatada, doce e suave.
O prato preferido pelos brasileiros - a feijoada misturada à farinha de mandioca - é sempre regado com molho de pimenta: ele a acompanha e incrementa seu sabor. São os molhos de pimenta que temperam, inclusive, a buchada, o mocotó, a rabada, o caruru de quiabos, a moqueca, a dobradinha, a galinha de cabidela e o sarapatel, pratos típicos da cozinha baiana e pernambucana.

Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Pimenta. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: Fundação Joaquim Nabuco . Acesso em: 25 nov. 2009.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Estufa: uma opção de cultivo para o ano todo

Foi publicada no site Escola em Ação mais uma matéria sobre o Projeto Mão na Terra, agora sobre a nossa estufa.
Confira:
Reproduzir um ambiente onde é possível criar e manter condições ambientais para o cultivo de plantas, independente da estação do ano ou de fatores como temperatura, umidade e luminosidade externa. Com este objetivo, foi construída a estufa da Escola Estadual Profª Dinorá P. R. Brito, em São José dos Campos (SP), onde é implementado o Projeto “Mão na Terra”, coordenado pela professora Rosa Maria Sousa Santos.
“A estufa da escola é de estrutura de madeira revestida com tela do tipo mosquiteiro; o custo é menor, mas exige maior atenção quanto à conservação e manutenção”, explica a professora Rosa. De acordo com ela, pode-se usar como opção bambu ou material reciclado. “Nos depósitos de ferro velho, encontramos facilmente materiais alternativos que podem ser adaptados para a estrutura da estufa. É só usar a criatividade”, continua.
Cuidados básicos
Ao montar uma estufa, escolha um local ventilado, mas evite ventos laterais.
Locais pouco ventilados, segundo a professora Rosa, favorecem a propagação de fungos, ácaros e outros agentes prejudiciais às plantas. Sobre o projeto
O projeto Mão na Terra surgiu para possibilitar aos alunos da Escola Estadual Dinorá P. R. Brito a vivência de práticas ambientais corretas. "São vários os desafios que precisamos superar para que os alunos possam vivenciar e desenvolver essas práticas na escola, pois o caminho para um mundo mais justo, ético e sustentável é o fortalecimento dessas experiências", explica a professora Rosa.

Veja também os destaques
Vamos incrementar nossa horta escolar e Vamos construir uma horta mandala, no Escola em Ação.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Construções sustentáveis

O nosso desafio agora é representar na maquete a questão habitacional. Como resolver o problema habitacional, construindo de maneira sustentável e causar o menor impacto ao meio ambiente?

Tanto na fase de construção como na fase de ocupação, as habitações geram resíduos e consomem recursos.

Assim, optamos por construções sustentáveis, pois buscam conciliar conforto e funcionalidade às diversas formas de minimização de impacto e uso eficiente de energia e recursos naturais.

No contexto de cidade sustentável, a horta comunitária é um elemento imprescindível.

O nosso novo mascote deixa algumas dicas de Construção Sustentável:
1. Planejamento Sustentável da Obra
2. Aproveitamento passivo dos recursos naturais
3. Eficiência energética
4. Gestão e economia da água
5. Gestão dos resíduos na edificação
6. Qualidade do ar e do ambiente interior
7. Conforto termo-acústico
8. Uso racional de materiais
9. Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis

Agradeço a Prof. Denise Gavinha pela visita à sua construção sustentável.

Fonte: IDHEA - Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A magia das cartas

( Alunos da Escola João Brazil - Niterói/RJ)
Os alunos da Escola João Brazil já receberam as cartas e sementes enviadas por nossos alunos.
Como escreveu o Professor Rogério: "A magia das cartas encanta e contagia. Quem dera fosse sempre assim nas aulas de Geografia..."
Veja o post completo no Blog do Profº Rogério.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

De peça em peça

De peça em peça o lugar idealizado pelos alunos surge na maquete.

É uma proposta de cidade sustentável onde existe equilíbrio entre as questões sociais, ambientais e econômicas.

Optamos por reduzir os deslocamentos e centralizar as atividades sociais.

Estudar, trabalhar, participar de eventos, cursos, shows, teatros, cinemas e lan houses , por exemplo, na menor distância possível de suas casas , estabelecendo relações conjuntas e não separadas.
Para o deslocamento de pequenas distâncias, caminhadas ou bicicletas,
Outras distâncias, transporte coletivo de qualidade.
São alternativas para aproveitar melhor o tempo e
Garantir qualidade de vida para as pessoas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pensar a cidade como lugar para todos

Hoje nos reunimos para mais uma etapa da construção da maquete.
Foi um momento de reflexão sobre a necessidade de construir espaços que atendam a todas as pessoas em suas diferentes necessidades.
Refletimos sobre a necessidade de planejamento e ações que resultam num desenvolvimento ambientalmente equilibrado,
economicamente viável e
socialmente justo. Cidades acessíveis ampliam as oportunidades,
colocando trabalho, saúde, lazer, escola, esporte e convivência ao alcance de todos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mão na Terra é notícia

Foi publicada no site Escola em Ação mais uma matéria sobre o Projeto Mão na Terra.

sementes cariocas

"A troca de sementes entre a Escola Estadual Profª Dinorá P. R. Brito, em São José dos Campos (SP), e a Escola Municipal João Brasil, em Niterói (RJ), contribuiu para incrementar a horta das duas escolas. Confira as dicas da professora de geografia Rosa dos Santos, que coordena o projeto ambiental “Mão na Terra”, na escola paulista e veja como é simples replicar essa ideia.
De acordo com a professora Rosa, o intercâmbio de sementes realizado com os alunos do professor de geografia Rogério, da Escola Municipal João Brasil, proporcionou a valorização de práticas ambientais já existentes nas duas escolas, possibilitando aos alunos novos conhecimentos, fortalecendo princípios como cooperação e solidariedade, em vez da valorização da cultura de consumo e do individualismo.
A troca de sementes começou na escola paulista depois da instalação da horta. Os alunos foram incentivados a trazer sementes de casa e a trocar com os colegas de sala.
“Com a atividade, os alunos descobriram que é muito fácil cultivar, mesmo em vasinhos feitos em pet, para plantar temperos e ervas medicinais. Descobriram também que essas plantas podem ser usadas para alimentação e tratamento alternativo para várias doenças. A ação acabou envolvendo toda a família e multiplicando-se na comunidade”, explica Rosa dos Santos.

Aumentando a abrangência

“Por que não transpor os muros da escola e trocar sementes com alunos de outras localidades?” Perguntou-se, então a professora Rosa, a partir do sucesso da iniciativa. Através da Internet, ela conheceu o trabalho do professor Rogério, que também desenvolve atividades de educação ambiental na sua escola. “No primeiro contato, mandamos sementes de alfazema, girassol e flores, e eles nos retribuíram com feijão guandu e manjericão que foram plantados imediatamente na horta mandala”, diz a professora.

Desdobramento da iniciativa

De acordo com Rosa dos Santos, junto com as sementes, os alunos escreveram cartas, contando sobre o projeto desenvolvido na escola, o lugar onde vivem e dando dicas de como cuidar das sementes que estavam enviando. “Essas trocas proporcionam novas descobertas e experiências, estimulando a leitura e a escrita, e a reflexão sobre o lugar onde vivem”, explica.
Segundo a professora, os alunos também perceberam na prática que a preocupação com a saúde e a busca de uma alimentação com produtos de boa qualidade e sem agrotóxicos é global e só a reflexão sobre o impacto de nossas ações no planeta é que nos permite buscar um futuro mais sustentável.

Três dicas:

A professora Rosa dá três dicas para quem quiser replicar a iniciativa da troca de sementes:
- estabelecer a responsabilidade da troca, pois quem escreveu e enviou suas semente não quer ficar sem resposta;
- organizar e acompanhar os alunos na redação das cartas;
- usar sementes de fácil cultivo. "

Para conhecer o Escola em Ação aqui